Entrevista com o Terapeuta Rui Silva

O que é a massagem?

O conceito de massagem em termo lato abrange um conjunto de manobras, por vezes aplicadas apenas com as mãos (Quiromassagem), que através de técnicas de força, amassamento, fricção e vibração interagem sobre os tecidos musculares, tendinosos e ligamentares, estimulando o tónus e a elasticidade. Atuam ainda sobre a circulação sanguínea e linfática e sobre as articulações, proporcionando uma melhor mobilidade e alívio de dores corporais.

Estamos portanto a falar de uma terapia?

Sim, nesta área de atuação fala-se geralmente em Massoterapia. De facto a massagem tem várias vertentes, e uma delas é efetivamente terapêutica.

Existem vários tipos de massagem?

Grosso modo poderíamos catalogar os diversos tipos de massagem em duas categorias base: energética e fisiológica.

No primeiro caso, encontramos práticas orientais como o Shiatsu, a Ayurveda e Tui Na onde se procura a chamada energia vital. No segundo caso falamos da massagem dita clássica, mais ocidental. Aqui procura-se atuar sobre o sistema neuro circulatório e tecidos moles, nomeadamente a parte muscular.

Existe então uma ideia redutora sobre a massagem…

Pior que isso… existem conceitos completamente deturpados sobre esta área de atuação. Desde a ideia que a massagem não "serve para nada", até à disparatada conotação com um mero ato erótico.

Mas a massagem proporciona prazer físico…

Também o alívio de uma dor de dentes, a cura de uma gripe, o simples ato de comer ou dormir, etc… Sempre que equilibro o meu estado psíquico e físico, por inerência sinto prazer.

O que fazer para mudar esse paradigma?

O terapeuta deve exercer também uma ação pedagógica ativa. Para além da sua competência na área da Saúde e Bem-estar… afinal estamos a melhorar a saúde das pessoas… deve educar e esclarecer de forma a alterar a visão redutora que infelizmente ainda subsiste, começando pela própria classe médica!

Citando apenas um exemplo… quantas vezes um ortopedista recomenda massagem terapêutica como meio complementar de tratamento? No entanto, sabemos perfeitamente que existe uma relação músculo-esquelética inequívoca e que a massagem potencia e acelera a correção esquelética e postural.

Apenas se verifica e aceita com normalidade o uso da massagem como prática habitual em casos de fisioterapia. No resto temos um completo deserto…

Isso não é assim em todo o mundo?

As sociedades orientais tem uma ideia e uma prática completamente oposta à nossa neste capítulo.

Na India, a massagem Ayurveda é praticada há 7 mil anos e é considerada como medicina oficial, aliás reconhecida pela Organização Mundial de Saúde!

Nos países nórdicos, por exemplo, existe uma visão completamente diferente e a massagem é vista como uma terapia complementar porque se aceita que potencia e acelera o tratamento de várias patologias.

Em Inglaterra, a massagem a bebés é comparticipada pela Segurança Social!

Há pois um longo caminho a percorrer em Portugal…

Mas no desporto é prática corrente…

Na alta competição os atletas estão mais esclarecidos e percebem os benefícios óbvios e imediatos, não só pela melhoria de rendimento, o que lhes proporciona melhores marcas e resultados, mas também pela prevenção no aparecimento de lesões e pela rápida recuperação do esforço.

E quem ainda não pratica está claramente em desvantagem face à competição... só que ainda não tomou consciência dessa realidade!

Basicamente ignoram as enormes vantagens que teriam se incluíssem a massagem no seu plano de treino.

E ao nível empresarial?

Aos poucos as empresas começam a compreender a mais-valia de disponibilizarem aos seus colaboradores um serviço de Saúde e Bem-Estar.

Em parte, devido à legislação obrigatória sobre “Saúde, Segurança e Higiene no Trabalho”, encara-se e valoriza-se o bem-estar físico e psíquico de um modo mais consciente.

Só em Portugal, existem 150 mil casos de lombalgia, com origem em hérnias discais, artrose, inflamação localizada e más posturas, muitas delas originadas em contexto laboral. Os custos em produtividade e absentismo são elevados.

Todos, empresas e colaboradores, ficariam a ganhar com a introdução da prática de massagem terapêutica, pelo menos uma vez por semana.

E, ao contrário do que se pensa, os custos são irrisórios!