Salto alto: a Bela e o Monstro

Alguns centímetros mais, conquistados com sapatos de salto alto, podem fazer bem à autoestima e vaidade feminina, mas muito mal à saúde.

O uso quotidiano do salto é apontado como um fator de risco ao surgimento de varizes e outras doenças venosas, como flebites e tromboses.

Quanto maior o salto, maior a limitação de trabalho dos gémeos, o coração da perna. O sangue, rico em oxigênio e nutrientes, desce para as pernas pelas artérias e retorna, com detritos e gás carbônico, pelas veias com a ajuda dos gémeos. A sua capacidade fica debilitada com o uso do salto alto.

De acordo com os especialistas, o volume residual venoso (a quantidade de sangue não bombeado) nos membros inferiores, não deve ser superior a 35%. Contudo, o uso do salto alto revela que o valor de sangue retido atinge os 59%!

Alguns dos sintomas mais comuns são o inchaço, dores, o aparecimento de pequenos vasos capilares na zona mais superficial da epiderme, sensação de cansaço e perna pesada.

Por cada 2,5cm de altura nos sapatos, o corpo inclina-se para a frente em dois graus. Isto provoca stress e tensão desde a cervical à lombar, incluindo desvios como hiperlordose ou da própria cintura pélvica. Isto acontece porque o salto alto força a projeção da pélvis para trás enquanto o tronco é forçado a inclinar-se para a frente.

Esta mudança postural pode causar dores de cabeça, sensação de aperto no peito, dor lombar, e muito mais.

Quando usado por longos períodos de tempo, o uso do salto alto provoca tensão nos músculos e articulações dos pés, tornozelos, pernas, joelhos, quadris e região lombar.

Como o salto desequilibra, quem o usa tende a fazer força para se equilibrar unindo os dois joelhos. Isso faz com que a perna ganhe o formato de "X", com os joelhos quase encostados e os pés mais distantes. Para manter o equilíbrio, o pé e o tornozelo perdem o ângulo correto e o calcanhar fica sobrecarregado e direciona o peso para as laterias. As laterais do pé ficam assim “viradas” para fora (pronação).

Ao fim de alguns anos, verifica-se a tendência para o desenvolvimento de artrose no joelho.

Artigo baseado nas publicações de: Dr. Wagner Tedeschi Filho (cirurgião vascular) e Dra. Tiffany Grace (Chiropractic from the New York Chiropractic College)